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Narrativas de liberdade:
Ensino, Saúde Mental e as Trilhas de Basaglia

A liderança de Franco Basaglia em Trieste, na Itália, a partir dos anos 1970, transformou profundamente o modo de pensar e se relacionar com a experiência da loucura no mundo. Ao negar-se a compactuar com a violência do modelo asilar, e ao afirmar o cuidado em liberdade e o valor das pessoas com problemas de saúde mental como condição primeira para qualquer tomada de ação, Basaglia inventou pela prática uma outra forma relação e de cuidado com pessoas e territórios, impactando legislações, políticas públicas, redes e serviços de saúde mental, e muito mais.

 

O legado é imenso e vivido por cada uma das pessoas que, agora, vivem e são cuidados em liberdade nos muitos cantos do mundo em que a perspectiva teórico-prática da desinstitucionalização plantou uma semente e floreou.

 

Mas como formar novas gerações de profissionais a partir desse legado? Como compartilhar os pensamentos e ensinamentos práticos de Basaglia e de todos autores da desinstitucionalização com pessoas interessadas e com compromisso com o cuidado em liberdade?

 

Apesar da vasta produção escrita de Basaglia e de seus colaboradores, a experiência de transmissão de seus aprendizados revela uma lacuna: a necessidade de materiais com outras formas de assessibilidade, especialmente em formatos audiovisuais, capazes de aproximar estudantes dessa experiência de forma viva e crítica.

É nesse contexto que surge este projeto com o objetivo de transformar registros históricos -provenientes de acervos públicos, de diálogos com trabalhadores de Trieste e de coleções pessoais - em materiais didáticos audiovisuais, pensados para gerar diálogos em ensino de graduação, em grupos de estudo e em espaços de formação em saúde mental, incluindo os serviços. Mais do que reunir conteúdos, a proposta organiza esses materiais em diálogos temáticos e com diferentes características, buscando mobilizar reflexões e conversas a partir de interesses de pessoas e de territórios.​

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Como resultado, apresentamos cinco vídeos que abordam temas centrais como a transformação institucional, os manicômios judiciários, a construção de redes territoriais e as cooperativas sociais. 

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Ao articular ensino, memória crítica e inovação pedagógica, o projeto convida docentes, estudantes, profissionais, pessoas usuárias de serviços de saúde mental e todos interessados a revisitar a experiência que transformou vidas e a atenção em saúde mental no mundo - não como um modelo a ser replicado, mas como inspiração para pensar, de forma crítica e coletiva, os caminhos possíveis no presente.

Teaser -
Narrativas de Liberdade

 

Duração: 4min03s
Data: 2025/2026

Produção e edição audiovisual: Marina Tacla e Claudia Braga

Participação: Giovanna Del Giudice, Andrea Maulini e Marina Tacla

Financiamento: Pró Reitoria de Graduação USP - Programa Unificado de Bolsas - Ensino


Acesso em: Teaser

O teaser, apresentando o projeto, destaca a dimensão internacional da Experiência Triestina e suas conexões com o Brasil, evidenciando a aliança entre os dois países como uma forma de manter viva a experiência de Trieste, “reacendendo a chama”.

 

A narrativa reforça que a desinstitucionalização é um processo contínuo, que não se encerra com o fim dos manicômios, e depende da construção coletiva, por meio de alianças entre estudantes, profissionais e a comunidade. Este é o vídeo de abertura do projeto, fruto dessa parceria entre Brasil e Itália, e, ao longo da sequência de vídeos, os temas são aprofundados e novas discussões vão sendo construídas.

A Revolução, Basaglia e Brasil

Duração: 23min01s
Data: 2025/2026

Produção e edição audiovisual: Marina Tacla e Claudia Braga

Participação: Giovanna Del Giudice, Andrea Maulini e Marina Tacla

Financiamento: Pró Reitoria de Graduação USP - Programa Unificado de Bolsas - Ensino

Descrição

O vídeo apresenta a experiência de desinstitucionalização em Trieste, conduzida por Franco Basaglia e sua equipe, destacando sua trajetória e o processo que levou à transformação do cuidado em saúde mental, ao demonstrar que é possível viver sem manicômios. A narrativa evidencia que essa mudança só foi possível a partir de um trabalho coletivo, valorizando as trocas entre países e o reconhecimento de que, em diferentes partes do mundo, há pessoas engajadas na luta por transformação. Ressalta ainda que a teoria emerge da prática, a partir das experiências concretas de mudança. A partir dessas trocas, o vídeo mostra como as ideias basaglianas influenciaram diretamente a reforma psiquiátrica brasileira e contribuíram para a construção do atual modelo de atenção psicossocial.

Memórias, Movimentos e Conexões

Duração: 9min05s
Data: 2025/2026

Produção e edição audiovisual: Marina Tacla e Claudia Braga

Participação: Andrea Maulini, Marina Colia e Marina Tacla

Financiamento: Pró Reitoria de Graduação USP - Programa Unificado de Bolsas - Ensino

Descrição

O vídeo aborda os movimentos e coletivos atuais vinculados à reforma psiquiátrica em Trieste, enfatizando a importância de não permanecer preso ao passado, mas compreender a experiência como algo em constante movimento. Retoma a história da revolução basagliana, destacando especialmente o papel da arte, especialmente as artes do artista Ugo Guarino, como elemento fundamental nos processos de transformação social e de desinstitucionalização. Apresenta iniciativas como o Coletivo Marte, a Rádio Fragola e o Centro di Documentazione, evidenciando como essas práticas mantêm viva e em expansão a experiência da reforma, articulando cultura, comunidade e cuidado em liberdade.

Manicômios Judiciários

Duração: 24min29s
Data: 2025/2026

Produção e edição audiovisual: Marina Tacla e Claudia Braga

Participação: Giovanna Del Giudice, Andrea Maulini e Marina Tacla

Financiamento: Pró Reitoria de Graduação USP - Programa Unificado de Bolsas - Ensino

Descrição

O vídeo aborda o tema dos manicômios judiciários e apresenta o processo de seu fechamento em Trieste, destacando o papel do diálogo com a política e o sistema judiciário. A narrativa acompanha o movimento STOP OPG (Stop Ospedali Psichiatrici Giudiziari, “Parem os Hospitais Psiquiátricos Judiciários”), formado por profissionais, juristas e ativistas que lutaram pelo fim dessas instituições e pela construção de alternativas mais humanas de cuidado. Nesse contexto, destaca-se a criação das REMS (Residências para Execução de Medidas de Segurança), serviços territoriais de pequena escala que substituem os manicômios judiciários, propondo um cuidado em liberdade, articulado com a rede de saúde mental. O vídeo também discute a Lei 180, os desafios enfrentados nesse processo, o conceito de inimputabilidade e as questões políticas envolvidas na atualidade.

Rede de Saúde Mental Territorial

Duração: 15min20s
Data: 2025/2026

Produção e edição audiovisual: Marina Tacla e Claudia Braga

Participação: Giancarlo Carena e Marina Tacla

Financiamento: Pró Reitoria de Graduação USP - Programa Unificado de Bolsas - Ensino

Descrição

O vídeo aborda o papel crucial da rede de saúde mental em um contexto sem manicômios, apresentando um mapa territorial dos serviços e das estruturas alternativas necessárias para sustentar esse modelo de cuidado.Enfatiza a necessidade de pensar o acompanhamento das pessoas para além do centro de saúde mental, considerando outros settings, seus contextos de vida e inserção na comunidade. Destaca a importância da desestigmatização da loucura, bem como o desenvolvimento de competências dos profissionais, especialmente habilidades sociais e a capacidade de construir redes, finalizando com uma ideia de projeto entre o CAPS e o SESC.

Saúde Mental Global
Estudos e Pesquisas em Saúde Mental, Drogas e Desinstitucionalização 

Terapia Ocupacional - FMUSP
R. Cipotânea, 51

Cidade Universitária

São Paulo - SP, 05360-160

claudia.braga@usp.br

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